Estigma


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Estigma
Stigma


Não receio que partas para longe,
Que faças por fugir, por te livrares
Da força da minha voz
E da compreensão do meu olhar.
Não temo que os mares te levem
No bojo dos transatlânticos
Nem tampouco me amedronta
Que em possantes aviões
No céu e na terra,
Em todos os seres me encontrarás
Cortes espaços sem conta.
Serena ficarei se disseres
Que na certa me olvidarás
No ventre da mata virgem,
Nas areias dos desertos
Ou no amor de outras mulheres que terás.
Não importa.
Nada temo e desejo mesmo que o faças
Para que saibas o quanto estou em teus sentidos
E que a minha forma, o meu espírito
Jamais da tua existência passa.
Se fugires pelos mares
Tu me veras na espuma leve da onda,
Me sentiras no colorido de um peixe
E a minha voz escutaras dentro de uma concha.
Se partires pelos ares,
Certamente na brancura de uma nuvem
Tu sentirás a maciez e a alvura
Das minhas carnes.
Se fores para a floresta
Hás de me ver
Na árvore mais florida e harmoniosa.
Atravessando areias cálidas do deserto
Sei que trocarias o lenitivo de um oásis
Pela certeza de me teres perto.
E nas mulheres que encontrares,
Dos seios o perfume, das nucas a palidez,
Das ancas as curvas
E das peles a cor e a tepidez,
Fica certo, não te evadirás.
Porque desde a tua sombra
Ao teu mais rápido pensamento
Não serás livre de mim
Num um momento.
Non temo che tu te ne vada lontano,
che tenti di fuggire, per liberarti
della forza della mia voce
e della clemenza del mio sguardo.
Non ho paura che i mari ti rapiscano
nel ventre dei transatlantici
né tanto meno mi spaventa
saperti in potenti aeroplani
in cielo e in terra,
in ogni essere m’incontrerai
pur se interponi spazi enormi.
Resterò serena se dirai
che di certo mi scorderai
nel cuore della foresta vergine,
fra le sabbie dei deserti
o nell’amore di altre donne che avrai.
Non importa.
Nulla temo e anzi voglio che lo faccia
perché tu sappia come sono presente nei tuoi sensi
e che la mia essenza, il mio spirito
mai dalla tua esistenza si stacca.
Se fuggirai per mare
tu mi vedrai nella spuma lieve dell’onda,
mi sentirai nei colori di un pesce
e la mia voce ascolterai in una conchiglia.
Se te ne andrai per i cieli,
di certo nel candore di una nuvola
tu rivivrai la morbidezza e il biancore
delle mie carni.
Se riparerai nella foresta
finirai per vedermi
nell’albero più fiorito e armonioso.
Attraversando le calde sabbie del deserto
so che baratteresti la freschezza di un’oasi
con la certezza di tenermi accanto.
E nelle donne che incontrerai,
dei seni il profumo, delle nuche il pallore,
delle anche le curve
e della pelle il colore e il tepore,
stai certo, non ti sfuggirà.
Perché a partire dalla tua ombra
fino al tuo pensiero più fuggente
non sarai libero di me
neppure un solo istante.
________________

Chiara Enzo
Nuca (2021)
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