Paisagem


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Paisagem
Paesaggio


Restam nos meus olhos
Séculos de planícies áridas
E o vento ríspido que trouxe as lamentações
Das sombras agitadas
Sobre os pântanos desconhecidos.
Distantes estão os caminhos
Onde eu encontraria a suprema fraqueza
Para vergar os meus joelhos
E deitar no pó a minha boca moribunda.
Invisíveis estão as estrelas
Que me levariam a contemplar os céus abençoados.
E só espaços sem medida
Onde a música da noite
É livre sobre os pensamentos em sono.
Desconhecida para mim a praia onde eu me deitaria
De olhos cerrados e sentiria
O último movimento da onda
Balançar os meus pés
Como as algas sem direção.
Como os detritos rejeitados pela pureza do mar.
Restam dentro da minha sombra
Fragmentos de agitações de outras vidas
Plantadas no meu grito de revolta
Que eu não libertarei
Até que no deserto universal
A flor de um cardo movimente
A paisagem silenciosa.
Albergano nei miei occhi
Secoli di aride pianure
E il vento rude che trasportò i lamenti
Delle ombre inquiete
Sopra le paludi sconosciute.
Distanti sono i sentieri
Ove io potrò con estrema stanchezza
Piegare le mie ginocchia
E posare sulla polvere la mia bocca moribonda.
Invisibili sono le stelle
Che mi porterebbero a contemplare i cieli beati.
E solamente spazi smisurati
Là dove la musica della notte
Si libra sopra i pensieri addormentati.
A me ignota la spiaggia ove potrei distendermi
Ad occhi chiusi e sentirei
L’ultimo movimento dell’onda
Cullare i miei piedi
Come le alghe fluttuanti qua e là.
Come i detriti respinti dalla purezza del mare.
Rimangono dentro la mia ombra
Frammenti di conflitti d’altre vite
Piantati nel mio grido di rivolta
Che io non emetterò
Finché nel deserto universale
Ci sarà un fior di cardo ad animare
Il paesaggio silente.
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Edvard Munch
Giovane donna sulla spiaggia (1896)
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