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Lembrança
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Ricordo
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Fiquei vivendo à tua sombra
Como os musgos à beira das fontes. Com ritmo agreste verguei meu corpo Com um movimento de arco distendido pela flecha E o ruído do meu sangue correndo em minhas veias Foi como o das distantes cachoeiras perdidas. O meu pensamento como um pássaro da noite Riscou o silencio dos nossos corpos deitados E pousou na tua boca entreaberta Como a brisa sobre os jardins pisados. O perfume da terra chovida Que a tua presença evaporava Penetrou nos meus cabelos Como a seiva dos frutos caídos E aprofundou-se nos meus sentidos Como a gota sorvida pelas quentes areias. Fiquei no teu corpo Como a poeira das estradas Pegada às folhas novas As folhas que não necessitam florescer Porque o sangue da terra Justifica o seu isolamento. Fiquei vivendo à sombra do teu corpo Como os musgos à beira das fontes. |
Sono vissuta alla tua ombra
Come il muschio sul bordo delle fonti. Con ritmo agreste inarcai il mio corpo Col movimento dell’arco teso dalla freccia E il fragoroso scorrere del mio sangue nelle vene Era simile a quello delle lontane rapide perdute. Il mio pensiero come un uccello notturno Scalfiva il silenzio dei nostri corpi distesi E si posava sulla tua bocca socchiusa Come la brezza sopra i giardini sfiorati. Il profumo di terra dopo la pioggia Che la tua presenza emanava Penetrava nei miei capelli Come la linfa dei frutti caduti E s’insinuava dentro ai miei sensi Come goccia assorbita dalla sabbia ardente. Sono rimasta stretta al tuo corpo Come la polvere delle strade S’incolla alle foglie nuove Le foglie che non han bisogno di fiorire Perché il sangue della terra Giustifica il loro isolamento. Sono vissuta all’ombra del tuo corpo Come il muschio sul bordo delle fonti. |
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| Ismael Nery A Família (1924) |

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