Elegia para uma gaivota


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Elegia para uma gaivota
Elegia per un gabbiano


Morreu no mar a gaivota mais esbelta,
a que morava mais alto e trespassava...
de claridade as nuvens mais escuras com os olhos.

Flutuam quietas, sobre as águas, suas asas.
Água salgada, benta de tantas mortes angustiosas,
 aspergiu-a.
E três pás de ar pesado para sempre as viagens lhe
 vedaram.

Eis que deixou de ser sonho apenas sonhado. É
finalmente sonho puro,
sonho que sonha finalmente, asa que dorme voos.

Cantos de pescadores, embalai-a!
Versos dos poetas, embalai-a!
Brisas, peixes, marés, rumor das velas, embalai-a!

Há na manhã um gosto vago e doce de elegia,
tão misteriosamente, tão insistentemente,
sua presença morta em tudo se anuncia.

Ela vai, sereninha e muito branca.
E a sua morte simples e suavíssima
é a ordem-do-dia na praia e no mar alto.
È morto in mare il gabbiano più lesto,
quello che viveva più in alto e con gli occhi
trafiggeva di splendore le nubi più scure.

Fluttuano quiete, sulle acque, le sue ali.
Acqua salsa, benedetta da tante morti angosciose,
 l’asperse.
E tre raffiche d'aria pesante per sempre gli preclusero
 il volo.

Ecco che ha smesso d’essere solo un sogno sognato. È
finalmente sogno puro,
sogno che finalmente sogna, ala che fa dormire i voli.

Canti di pescatori, cullatelo!
Versi dei poeti, cullatelo!
Brezze, pesci, maree, fruscio di vele, cullatelo!

V’è nel mattino un gusto vago e dolce d’elegia,
così misteriosamente, così insistentemente,
la sua morta presenza in tutto s’annuncia.

Se ne va, sereno e candido.
E la sua morte semplice e dolcissima
è all'ordine del giorno sulla spiaggia e in alto mare.
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Elihu Vedder
Il gabbiano morente (1879)
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