Contra a Esperança


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Contra a Esperança
Contro la speranza


É preciso esperar contra a esperança.
Esperar, amar, criar
contra a esperança
e depois desesperar a esperança
mas esperar,
enquanto um fio de água, um remo,
peixes
existem e sobrevivem
no meio dos litígios;
enquanto bater a máquina de coser
e o dia dali sair
como um colete novo.

É preciso esperar
por um pouco de vento,
um toque de manhãs.
E não se espera muito.
Só um curto-circuito
na lembrança. Os cabelos,
ninhos de andorinhas
e chuvas. A esperança,
cachorro
a correr sobre o campo
e uma pequena lebre
que a noite em vão esconde.

O universo é um telhado
com sua calha tão baixo
e as estrelas, enxame
de abelhas na ponta.

É preciso esperar contra a esperança
e ser a mão pousada
no leme de sua lança.

E o peito da esperança
é não chegar;
seu rosto é sempre mais.
É preciso desesperar
a esperança
como um balde no mar.

Um balde a mais
na esperança.

Um balde a mais
contra a esperança
e sobre nós.
Occorre sperare contra la speranza.
Sperare, amare, creare
contro la speranza
e poi affliggersi per la speranza
ma sperare,
fintanto che un filo d’acqua, un remo,
dei pesci
esistano e sopravvivano
in mezzo alle baruffe;
fintanto che batta la macchina per cucire
e il giorno vada a finire
come un nuovo gilè.

Occorre sperare
un soffio di vento,
un accenno di mattino.
E non è sperare molto.
Soltanto un cortocircuito
nella memoria. I capelli,
come nidi di rondini
e piogge. La speranza,
cane
che scorrazza in campagna
e un leprotto
che la notte inutilmente nasconde.

L’universo è come un tetto
con la sua gronda, giù in basso
e le stelle, sciame
di api sulla cima.

Occorre sperare contro la speranza
ed essere la mano che afferra
il timone della sua lancia.

E il cuore della speranza
è non arrivare;
il suo volto s’accresce sempre.
Occorre affliggersi
per la speranza
come per un secchio nel mare.

Un secchio di troppo
nella speranza.

Un secchio di troppo
contro la speranza
e al di sopra di noi.
________________

Agustín Lazo Adalid
La sarta (1942-1945)
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