Elogios de Ferreira Gullar - I


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Elogios de Ferreira Gullar - I
Elogio di Ferreira Gullar - I


Poética

Eu canto da única forma que canto.
As palavras são crinas de cavalos,
algumas são mais ásperas e duras,
podem ferir a alma feito navalhas.
É preciso fazer delas um chicote:
do entrançado primeiro,
após unir
     e girar
          cada
     um
          dos fios,
e dar o nó
     e retorcer
novamente,
e molhar algumas
     em fresca saliva,
poderia se construir
     uma chibata,
e fazê-la zunir no ar
     entre
          dois verbos,
para arrancar
     os olhos
     dos substantivos,
e sangrar
     na própria carne
          os adverbios.
Estalar as regras,
     as besteiras prontas,
provocar o caos
     ao invés da disciplina.
A forçar que as palavras revelassem
seu ser selvagem,
infantil
e primordial,
os significados antigos
e perdidos,
suas origens de urros
espasmos
e grunhidos.
E, só depois,
     com a chibata na mão,
os dedos em carne viva,
     as unhas arrancadas,
seria possível fazer
o meu verdadeiro poema.
Mas, então, mesmo se o fizesse,
quem o saberia?

Poetica

Io canto nel solo modo che conosco.
Le parole sono crini di cavallo,
certe sono più scabre e dure,
possono ferire l’anima come lame.
È necessario far di loro una sferza:
dapprima intrecciarle,
poi unire
     e girare
          ciascuno
     dei
          crini,
e fare un nodo
     e ritorcerle
di nuovo,
e bagnare alcune
     con fresca saliva,
si potrebbe così costruire
     una frusta,
e farla sibilare nell’aria
     tra
     due verbi,
per strappare
     gli occhi
          ai sostantivi,
e straziare
     a fondo nella carne
          gli avverbi.
Rompere le regole,
     tener pronte delle idiozie,
provocare il caos
     invece della disciplina.
Per forzare le parole a rivelare
la loro natura selvaggia,
infantile
e primordiale,
i significati antichi
e perduti,
le loro origini di ululati
spasmi
e grugniti.
E, solo dopo,
     con la frusta in mano,
le dita insanguinate,
     le unghie strappate,
sarà possibile fare
la mia vera poesia.
Ma, allora, quand’anche lo facessi,
chi lo verrebbe a sapere?


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Fustigazione di una fanciulla
Pompei, Villa dei Misteri (50 a.C.)
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