As balas


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As balas
Le pallottole


São de ferro. Ou de aço?
Diz-se que fazem à entrada
um pequeno orifício,
seguido de uma grande
devastação de carnes
sangrentas. Por isso matam.
Li tudo sobre a morte.
Escrevi sobre a minha
e depois embebedei-me.
A bala vem pelo ar
(ruído onomatopaico) e
crava-se, cava, ceva-se
nessas carnes. Era a minha.
Tive uma bala marcada:
à última hora telefonei
a desistir. ‘da-se!’
Pior para o Soares que entra
nestes versos já morto.
São de ferro. A tua era,
ó Soares, ou de aço,
e «agora choro contigo»
ausente uma vila
branca do Alentejo: tu.

  Diz-se que fazem assim
um pequeníssimo estúpido
orifício (não quis ver)
como um botão mas
destroem tudo, devastam
tecidos, vísceras nobres,
e então trazem até nós
a morte sanguinolenta.
Se ainda as fabricam
como no meu tempo, creio
que matam num, ah pois,
infinitésimo de segundo.
É brutal. Eu ouvi-as:
perde-se a tesão por um século. 
Sono di ferro. O d’acciaio?
Si dice che facciano all’entrata
un piccolo orifizio,
seguito da una gran
devastazione di carni
insanguinate. Perciò uccidono.
Ho letto tutto sulla morte.
Ho scritto sulla mia
e poi mi sono ubriacato.
La pallottola attraversa l’aria
(suono onomatopeico) e
si ficca, scava, s’incastra
nella carne. Era la mia.
Avevo una pallottola segnata:
all’ultimo istante ho telefonato
per arrendermi. ‘cedo!’
Andò peggio a Soares che entra
in questi versi già morto.
Sono di ferro. La tua lo era,
o Soares, o era d’acciaio,
e «ora piango per te»
assente da un bianco
borgo dell’Alentejo: tu.
 
Si dice che facciano così
un piccolissimo stupido
orifizio (non ho guardato)
come un bottone ma
distruggono tutto, devastano
i tessuti, le frattaglie nobili,
e quindi ci procurano
la morte sanguinolenta.
Se ancora le fabbricano
come ai miei tempi, credo
che uccidano, ah sì,
in un infinitesimo di secondo.
È brutale. Io le ho sentite:
non ti si rizza più per un secolo.
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Johnny Chung Lee
High-speed Bottle Smash (2006)
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