A Bela do Bairro


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A Bela do Bairro
La bella del quartiere


Ela era muito bonita e benza-a Deus
muito puta que era sempre à espera
dos pagantes à janela do rés-do-chão
mas eu teso e pior que isso néscio desses amores
tenho o quê? Quinze anos
tenho o quê uns olhos com que a vejo
que se debruçava mostrando os peitos
que a amei como se ama unicamente
uma vez um colo branco e até as jóias
que ela punha eram luzentes semelhando estrelas
eu bato o passeio à hora certa e amo-a
de cabelo solto e tudo não parece
senão o céu afinal um pechisbeque

ainda agora as minhas narinas fremem
turva-se o coração desmantelado
amando-a amei-a tanto e sem vergonha
oh pecar assim de jaquetão sport e um cigarro
nos queixos a admiração que eu fazia
entre a malta não é para esquecer nem lá ao fundo
como então puxo as abas da farpela
lentamente caminho para ela
a chuva cai miúda
e benza-a Deus que bonita e que puta
e que desvelos a gente
gastava em frente do amor
Lei era molto bella e, Dio la benedica,
molto puttana ed era sempre in attesa
di clienti alla finestra del pianterreno
ma io turbato e, peggio ancora, ignaro di questi amori
che cos'ho? Quindici anni
ecco cos’ho, ho gli occhi per vederla
mentre s’affacciava mostrando i seni
io che l’amai come si ama solamente
una volta un bianco decolleté e persino i gioielli
che lei portava erano lucenti simili alle stelle
io vado a passeggiare a una cert’ora e l’amo
coi suoi capelli sciolti e tutto dà l’impressione
che il cielo stesso in fondo non sia che princisbecco

ancora adesso fremono le mie narici
mi s’ottenebra il cuore spezzato
amandola tanto l’ho amata e senza vergogna
oh peccare così col giaccone sportivo e la sigaretta
penzolante il fascino che io emanavo tra quella
marmaglia non si può scordare neppure nel profondo
come allora tiro su il bavero della giacca
lentamente io le vado incontro
cade una pioggerella
e Dio la benedica per com’è bella e puttana
e quanta devozione io
dissipavo davanti all’amore
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Emiliano Di Cavalcanti
Donna al balcone (1961)
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