Somos de barro


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Somos de barro
Siamo d’argilla


Somos de barro. Iguais aos mais.
Ó alegria de sabe-lo!
(Correi, felizes lágrimas,
por sobre o seu cabelo!)

Depois de mais aquela confissão,
impuros nos achamos;
nos descobrimos frutos
do mesmo chão.

Pecado, Amor? Pecado
fôra apenas não fazer do pecado
a força que nos ligue
e nos obrigue a lutar lado a lado.

O meu orgulho assim é que nos quer.
Há de ser sempre nosso o pão, ser nossa a água.
Mas vencidas os ganham, vencedores,
nossa vergonha e nossa mágoa.

O nosso Amor, que história sem beleza,
se não fôra ascensão e queda e teimosia,
conquista… (E novamente queda
e novamente luta, ascensão… ) Ó meu amor, tão fria,

se nascêramos puros, nossa história!
Chora sobre o meu ombro. Confessamos.
E mais certos de nós, mais um do outro,
mais impuros, mais puros, nós ficamos.
Siamo d’argilla. Uguali agli altri.
Oh, che gioia saperlo!
(Scendete, lacrime felici,
sopra i suoi capelli!)

Dopo quest’altra confessione,
ci ritroviamo impuri;
scopriamo d’esser frutti
dello stesso suolo.

Peccato, Amore? Peccato
sarebbe soltanto non fare del peccato
la forza che ci unisce
e ci costringe a lottare lato a lato.

Il mio orgoglio è così che ci vuole.
Sempre sarà nostro il pane, sarà nostra l’acqua.
Ma, da vincitori, li conquistiamo solo vincendo
la nostra vergogna e il nostro dolore.

Il nostro amore, sarebbe storia senza bellezza,
se non ci fosse l’ascesa e la caduta, la tenacia,
la conquista… (E di nuovo la caduta
e di nuovo la lotta, la risalita… ) Oh, amor mio,

se fossimo nati puri, che fredda la nostra storia!
Piangi sulla mia spalla. Confessiamolo.
E più sicuri di noi, più l'uno dell'altra,
più impuri, più puri, diventiamo.
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Giorgio de Chirico
Gli sposi (1926)
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