Canção décima


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Canção décima
Decimo canto


Descesse a neve agreste do outono
das ruas nas areias da cidade
cansa-nos o verão e se descemos
de casa sobre os campos só das árvores
é a tranquilidade que
não dos homens
achamos

Mas se cansa o verão que vão sossego
que sossego terão injusto e falso
os homens que da neve o nome esperam e
da terra a treva fétida e as trevas
agrestes do oceano conheceram

Pedras ásperas têm semeado
na cidade
perdida vem a gente e trabalhada
das casas
onde morre

Descesse a neve
ao menos outro nome
poderíamos dar a este outono
descer das casas a olhar a água e
vir achá-la nas ruas mais parada

Quem poderá tranquilo olhar as águas
do tejo de desgraça semeadas
quem poderá amar este sossego
quem amará o fogo da paz falsa

Correrão águas limpas neste rio
onde chega hoje o sangue em vão perdido
e canção cantaremos a diversa
vida nossa e do tejo
Che scenda la rustica neve dell'autunno
dalle strade sulle sabbie della città
l’estate ci snerva e se lasciamo
la casa per i campi è solo dagli alberi
che ci viene la calma che
noi non troviamo
tra gli uomini
 
Ma se l’estate è snervante che vana quiete
che quiete ingiusta e fallace avranno
gli uomini che della neve aspettano il nome e
della terra il fetido buio han conosciuto
e dell'oceano le rustiche tenebre
 
Aspre rocce hanno seminato
in città
sperduta vi sta la gente e trasformata
dalle case
in cui muore
 
Che scenda la neve
potremmo almeno dare
a questo autunno un altro nome
uscire dalle case per guardare l’acqua e
ritrovarla più ferma per le strade
 
Chi potrà tranquillo guardare le acque
del tago disseminate di sventura
chi potrà amare questa quiete
chi amerà il fuoco della falsa pace
 
Acque pulite scorreranno in questo fiume
ove oggi giunge il sangue versato invano
e intoneremo un canto alla nuova
vita nostra e del tago
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Camille Pissarro
La strada per Versailles (1869)
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