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Lágrima de preta
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Lacrima di nera
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Encontrei uma preta
que estava a chorar, pedi-lhe uma lágrima para a analisar. Recolhi a lágrima com todo o cuidado num tubo de ensaio bem esterilizado. Olhei-a de um lado, do outro e de frente: tinha um ar de gota muito transparente. Mandei vir os ácidos, as bases e os sais, as drogas usadas em casos que tais. Ensaiei a frio, experimentei ao lume, de todas as vezes deu-me o que é costume: Nem sinais de negro, nem vestígios de ódio. Água (quase tudo) e cloreto de sódio. |
Ho incontrato una nera,
l’ho vista singhiozzare, le ho chiesto una lacrima da poter analizzare. Ho riposto la lacrima con cura delicata dentro una provetta ben sterilizzata. L’ho osservata da un lato dall’altro e di fronte: aveva l’aspetto di goccia chiara e trasparente. Ho fatto portare gli acidi, le basi e anche i sali: le sostanze che s’usano per casi tali e quali. Ho verificato a freddo, ho sperimentato col calore, ed ogni volta son giunto alla stessa conclusione: né tracce di negro né residui di odio. Acqua (quasi del tutto) e cloruro di sodio. |
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Candido Portinari Donna che piange (1955) |
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