SIDA


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SIDA
AIDS


aqueles que têm nome e nos telefonam
um dia emagrecem - partem
deixam-nos dobrados ao abandono
no interior duma dor inútil muda
e voraz

arquivámos o amor no abismo do tempo
e para lá da pele negra do desgosto
pressentimos vivo
o passageiro ardente das areias - o viajante
que irradia um cheiro a violetas nocturnas

acendemos então uma labareda nos dedos
acordamos trémulos confusos - a mão queimada
junto ao coração

e mais nada se move na centrifugação
dos segundos - tudo nos falta

nem a vida nem o que dela resta nos consola
e a ausência fulgura na aurora das manhãs
e com o rosto ainda sujo de sono ouvimos
o rumor do corpo a encher-se de mágoa

assim guardamos as nuvens breves os gestos
os invernos o repouso a sonolência
o vento
arrastando para longe as imagens difusas
daqueles que amámos mas não voltaram
a telefonar

quelli che hanno un nome e ci telefonano
un giorno cominciano a dimagrire - partono
ci lasciano prostrati all’abbandono
in seno a un dolore inutile muto
e vorace

archiviamo l’amore nell’abisso del tempo
e al di là della pelle nera del tormento
percepiamo presente
il passeggero ardente delle sabbie - il viandante
che emana un profumo di violette notturne

accendiamo allora una fiammella sulle dita
ci ridestiamo tremanti confusi - la mano bruciata
accanto al cuore

e null’altro si muove nella centrifugazione
dei secondi - ci manca tutto

né la vita né quel che ne resta ci conforta
e l’assenza rifulge nell’aurora dei mattini
e con la faccia ancora sudicia di sonno sentiamo
il rumore del corpo riempirsi d’affanno

custodiamo così le fugaci nubi i gesti
gli inverni l’inerzia il torpore
il vento
che trascina lontano le immagini sfocate
di quelli che abbiamo amato ma non ci hanno più
telefonato

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Olafur Eliasson
I grew up in solitude (1991)
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