________________
|
O bucolismo deixará de ser um canto
|
La poesia bucolica cesserà d’essere un canto
|
Sempre vivi à beira da paisagem,
pensando-a como ser, vendo-a,
chamando-a para mim, na minha íris.
Reflectida, a paisagem estava
sempre em mim, nos olhos, na boca
com uma história no tempo, hora a hora.
Benigna ou mortal, era ela própria,
era mundo, antigo e breve, terrestre,
leito de homens, para viver pascendo
ou para morrer, como ela mesma era
morta e transformada eternamente.
E acreditei que só, para sempre,
o latejar natural dos astros, do ar,
das águas, da terra, a manteriam
entregada a mim, à minha beira,
tal como estava desde o nascimento.
Mas hoje sei que os homens insanos,
em vez de amarem o corpo da matéria
no olhar e na fragrância das paisagens,
o depredaram, como se apenas
nos quisessem deixar de herança o mundo vivo
dos monstros vindos da nossa antiga pátria, a Grécia.
O grande Minotauro hoje chama-se Chernobyl,
demiurgo que expele um hálito
que gera crias das bestas e dos homens
oposto ao antigo sopro do Génesis; que gera
criaturas como se meramente simulasse
a vida. E a paisagem torna-se aparência,
somente simulacro e armadilha,
e o bucolismo deixará de ser um canto,
pois a flauta cala o seu trilo de esperança.
pensando-a como ser, vendo-a,
chamando-a para mim, na minha íris.
Reflectida, a paisagem estava
sempre em mim, nos olhos, na boca
com uma história no tempo, hora a hora.
Benigna ou mortal, era ela própria,
era mundo, antigo e breve, terrestre,
leito de homens, para viver pascendo
ou para morrer, como ela mesma era
morta e transformada eternamente.
E acreditei que só, para sempre,
o latejar natural dos astros, do ar,
das águas, da terra, a manteriam
entregada a mim, à minha beira,
tal como estava desde o nascimento.
Mas hoje sei que os homens insanos,
em vez de amarem o corpo da matéria
no olhar e na fragrância das paisagens,
o depredaram, como se apenas
nos quisessem deixar de herança o mundo vivo
dos monstros vindos da nossa antiga pátria, a Grécia.
O grande Minotauro hoje chama-se Chernobyl,
demiurgo que expele um hálito
que gera crias das bestas e dos homens
oposto ao antigo sopro do Génesis; que gera
criaturas como se meramente simulasse
a vida. E a paisagem torna-se aparência,
somente simulacro e armadilha,
e o bucolismo deixará de ser um canto,
pois a flauta cala o seu trilo de esperança.
Sempre ho vissuto al cospetto della natura,
pensandola come creatura, vedendola,
richiamandola in me, nella mia iride.
Riflessa, la natura stava
sempre in me, negli occhi, nella bocca
con una storia nel tempo, ora per ora.
Benigna o mortale, ella era veritiera,
era mondo, antico e breve, terrestre,
letto d’uomini, per vivere appagati
o per morire, come ella stessa era
morta e s’era eternamente trasformata.
E credevo che solamente, e per sempre,
il pulsare naturale degli astri, dell’aria,
delle acque, della terra, l’avrebbero serbata
come un dono per me, al mio servizio,
proprio com’era fin dall’origine.
Ma oggi so che gli uomini insani,
invece d’amare il corpo della materia
nello sguardo e nella fragranza della natura,
l‘hanno devastato, come se appena
volessero lasciarci in eredità il mondo vivo
dei mostri venuti dalla nostra antica patria, la Grecia.
Il grande Minotauro oggi si chiama Chernobyl,
demiurgo che emette un alito
che genera prole di bestie e d’uomini
in contrasto con l’antico soffio della Genesi; che genera
creature come se semplicemente simulasse
la vita. E la natura si riduce ad apparenza,
solamente simulacro e trappola,
e la poesia bucolica cesserà d’essere un canto,
poiché il flauto tace il suo trillo di speranza.
pensandola come creatura, vedendola,
richiamandola in me, nella mia iride.
Riflessa, la natura stava
sempre in me, negli occhi, nella bocca
con una storia nel tempo, ora per ora.
Benigna o mortale, ella era veritiera,
era mondo, antico e breve, terrestre,
letto d’uomini, per vivere appagati
o per morire, come ella stessa era
morta e s’era eternamente trasformata.
E credevo che solamente, e per sempre,
il pulsare naturale degli astri, dell’aria,
delle acque, della terra, l’avrebbero serbata
come un dono per me, al mio servizio,
proprio com’era fin dall’origine.
Ma oggi so che gli uomini insani,
invece d’amare il corpo della materia
nello sguardo e nella fragranza della natura,
l‘hanno devastato, come se appena
volessero lasciarci in eredità il mondo vivo
dei mostri venuti dalla nostra antica patria, la Grecia.
Il grande Minotauro oggi si chiama Chernobyl,
demiurgo che emette un alito
che genera prole di bestie e d’uomini
in contrasto con l’antico soffio della Genesi; che genera
creature come se semplicemente simulasse
la vita. E la natura si riduce ad apparenza,
solamente simulacro e trappola,
e la poesia bucolica cesserà d’essere un canto,
poiché il flauto tace il suo trillo di speranza.
________________
|
Enrico Baj Personaggio urlante (1964) |
Nessun commento:
Posta un commento