A Piaf


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A Piaf
La Piaf


Esta voz que sabia fazer-se canalha e rouca,
ou docemente lírica e sentimental,
ou tumultuosamente gritada para as fúrias santas do
  “Ça irá”,
ou apenas recitar meditativa, entoada, dos sonhos perdidos,
dos amores de uma noite que deixam uma memória gloriosa,
e dos que só deixam, anos seguidos, amargura e um vazio
 ao lado
nas noites desesperadas da carne saudosa que se
 não conforma
de não ter tido plenamente a carne que a traiu,
esta voz persiste graciosa e sinistra, depois da morte,
como exactamente a vida que os outros continuam vivendo
ante os olhos que se fazem garganta e palavras
para dizerem não do que sempre viram mas do que
 adivinham
nesta sombra que se estende luminosa por dentro
das multidões solitárias que teimam em resistir
como melodias valsando suburbanas
nas vielas do amor
e do mundo.

Quem tinha assim a morte na sua voz
e na vida.
Quem como ela perdeu
toda a alegria e toda a esperança
é que pode cantar com esta ciência
o desespero de ser-se um ser humano
entre os humanos que o são tão pouco.

Questa voce che sapeva farsi abbietta e roca,
o dolcemente lirica e sentimentale,
o impetuosamente gridata per i sacri furori del
  “Ça irá”,
o appena recitare riflessiva, intonata, di sogni perduti,
di amori d’una notte che lasciano una memoria gloriosa,
e di quelli che lasciano soltanto, per anni, amarezza e un
 vuoto accanto
nelle notti disperate della carne nostalgica che non
 si rassegna
a non aver posseduto appieno la carne che l’ha tradita,
questa voce persiste garbata e sinistra, dopo la morte,
esattamente come la vita che gli altri continuano a vivere
davanti agli occhi che diventano gola e parole
per esprimere non quel che han sempre visto ma quel
 che indovinano
in quest’ombra che si stende luminosa nel profondo
delle moltitudini solitarie che ostinate resistono
come melodici valzer di periferia
nei vicoli dell’amore
e del mondo.

Solo chi aveva la morte nella voce
e nella vita.
Solo chi come lei ha perso
tutta la gioia e tutta la speranza
può cantare con questa sapienza
la disperazione di sentirsi un essere umano
tra gli umani che così poco lo sono.

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Steven Ponsford
Edith Piaf (2013)
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