De novo, o duelo...


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De novo, o duelo...
Di nuovo, il duello...


De novo, o duelo que não poderás ganhar,
A laceração, e de novo há pedaços
De um coração insípido
Que se esmagam com a chuva contra o vidro.
Mas a verdade é que não chove
E a verdade é que no céu
As estrelas retomaram a sua engrenagem.
Já consegues apreciar o funcionamento 
Da gramática alemã, ou qualquer outra.
Que te preste.
O sono deixa-se convidar,
Como um animal dócil,
E os sonhos dissolvem-se sem rasto, sem memória –
O mesmo é dizer, sem consequências.
Redescobres por fim a maravilha
De uma ostra sem pérola.
O mundo que era real e se converteu em miragem,
Dolorosa miragem é novamente real
Nos seus modos, nos seus ritmos,
E em breve virá esse vazio que é a aceitação,
O melhor que muito amor deixa,
Uma indiferença que, reconhecida,
É quase euforia.
A tua vida será quase tua outra vez.

Di nuovo, il duello che non potrai vincere,
Lo squarcio, e di nuovo ci sono pezzi
Di un cuore insulso
Che con la pioggia sbattono contro il vetro.
Ma la verità è che non piove
E la verità è che in cielo
Le stelle hanno recuperato i loro ingranaggi.
Riesci già ad apprezzare il funzionamento 
Della grammatica tedesca, o di qualunque altra.
Che almeno ti sia utile.
Il sonno si lascia allettare,
Come un animale docile,
E i sogni si dissolvono senza traccia, senza memoria –
Sarebbe a dire, senza conseguenze.
Torni infine a scoprire la meraviglia
Di un’ostrica senza perla.
Il mondo che era reale e s’era mutato in miraggio,
Doloroso miraggio è nuovamente reale
Nei suoi modi, nei suoi ritmi,
E presto verrà quel vuoto che è l’accettazione,
La cosa migliore che tanto amore lascia,
Un’indifferenza che, riconosciuta,
È quasi euforia.
La tua vita sarà quasi tua un’altra volta.

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Stare, Ferle
Torso (2018)
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