A Paz


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A Paz
La pace


Se eu te pedisse a paz, o que me darias
pequeno insecto da memória de quem sou
ninho e alimento? Se eu te pedisse a paz,
a pedra do silêncio cobrindo-me de pó,
a voz limpa dos frutos, o que me darias
respiração pausada de outro corpo
sob o meu corpo?

Perdoa-me ser tão só, e falar-te ainda
do meu exílio. Perdoa-me se não te peço
a paz. Apenas pergunto: o que me darias
em troca se ta pedisse? O sol? A sabedoria?
Um cavalo de olhos verdes? Um campo de batalha
para nele gravar o teu nome junto ao meu?
Ou apenas uma faca de fogo, intranquila,
no centro do coração?

Nada te peço, nada. Visito, simplesmente,
o teu corpo de cinza. Falo de mim,
entrego-te o meu destino. E a morte vivo
só de perguntar-te: o que me darias
se te pedisse a paz
e soubesses de como a quero construída
com as matérias vivas da liberdade?
Se io ti chiedessi la pace, che cosa mi daresti
piccolo insetto della memoria di cui sono
nido e alimento? Se io ti chiedessi la pace,
la pietra del silenzio a coprirmi di polvere,
la voce nitida dei frutti, che cosa mi daresti
respiro regolare dell’altro corpo
sotto il mio corpo?

Scusami se sono tanto solo, e ti sto ancora parlando
del mio esilio. Perdonami se non ti chiedo
la pace. Ti domando appena: che cosa mi daresti
in cambio se te la chiedessi? Il sole? La saggezza?
Un cavallo dagli occhi verdi? Un campo di battaglia
per incidervi il tuo nome accanto al mio?
O soltanto un coltello di fuoco, inquieto,
al centro del cuore?

Nulla ti chiedo, nulla. Visito, semplicemente,
il tuo corpo di cenere. Parlo di me,
ti offro il mio destino. E vivo la morte
solo per chiederti: che cosa mi daresti
se ti chiedessi la pace
e tu sapessi che io la voglio costruita
con le materie vive della libertà?
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Jackson Pollock
La donna luna (1942)
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