Na morte dos rios


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Na morte dos rios
Sulla morte dei fiumi


A  Manuel Artur Souza Leão Neto
 
1
Desde que no Alto Sertão um rio seca,
a vegetação em volta, embora de unhas,
embora sabres, intratável e agressiva,
faz alto à beira daquele leito tumba.
Faz alto à agressão nata: jamais ocupa
o rio de ossos areia, de areia múmia.

2
Desde que no Alto Sertão um rio seca,
o homem ocupa logo a múmia esgotada:
com bocas de homem, para beber as poças
que o rio esquece, até a mínima água:
com bocas de cacimba, para fazer subir
a que dorme em lençóis, em fundas salas;
e com bocas de bicho, para mais rendimento
de seu fossar econômico, de bicho lógico.
Verme de rio, ao roer essa areia múmia,
o homem adianta os próprios, póstumos.
A  Manuel Artur Souza Leão Neto

1 
Ogni volta che nell’Alto Sertão si secca un fiume,
la vegetazione tutt’attorno, benché di unghie,
benché di spade, intrattabile e aggressiva,
s’arresta in riva a quel letto-tomba.
S’arresta dinanzi all’assalto subito: non occupa mai
il fiume di ossa-sabbia, di sabbia-mummia.
 
2
Ogni volta che nell’Alto Sertão si secca un fiume,
l’uomo subito occupa la mummia esausta:
con bocche d’uomo, per bere le pozze
che il fiume dimentica, fino all’ultima goccia;
con bocche di pozzo per far risalire
quella che dorme tra lenzuola, in profonde sale;
e con bocche d’animale, per un maggior profitto
economico dei suoi sbancamenti, d’animale logico.
Verme di fiume, nell’intaccare la sabbia-mummia,
l’uomo fa progredire il suo prossimo, postumo.
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Sergey Uskov
Lo spirito del fiume secco (2000)
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