A minha mão na vidraça...


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Estratte da Poesias nunca publicadas de... (2012) - Década de 60 »»
 
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A minha mão na vidraça...
La mia mano sul vetro...


A minha mão na vidraça
apalpa talvez a intangível luz
feita de espera calcada
em meu rosto – por ti.
Nas terras por onde andei
nunca houve nem céu nem lua como esta.
Ou talvez houvesse:
é que meu pisar estava embaixo
– não em cima.
O meu passo era de terra
E não de luz.
Havia trigo e bois, arados,
verde.
Não este azul impossível
de ser descrito sem cair no lugar-comum.
Armei tramas, e nunca prendi ninguém.
Possuí, e nunca fui amplo nem estreito.
Bebi, e nunca fiquei bêbado.
Sempre esta umidade de grama pisada
e o silêncio arfante, com o
perdão do mau gosto.
Entrelinhas.
Meios-tons.
Nada além do olhar ensandecido
numa estrutura lenta.
E o desvario, de repente.
(Assim como se te amar me desse asas.)
Nas terras por onde andei,
nunca fui intenso e estúpido.
La mia mano sul vetro
tasta forse l’intangibile luce
fatta d’attesa che porto impressa
sul mio volto – l’attesa di te.
Nelle terre che ho attraversato
mai c’è stato un cielo né una luna come questa.
O forse c’è stato:
è che i miei piedi si posavano in basso
– non in cima.
Il mio passo era di terra
E non di luce.
C’era grano e buoi, aratri,
verde.
Non questo blu impossibile
da descrivere senza cadere nel luogo comune.
Ho ordito trame, senza mai catturare nessuno.
Ho posseduto, senza mai essere magnanimo né gretto.
Ho bevuto, ma senza mai ubriacarmi.
Sempre questa umidità di erba calpestata
e il silenzio ansimante, chiedendo
scusa per il cattivo gusto.
Sottintesi.
Mezzi toni.
Niente al di là dello sguardo allucinato
in un andamento rallentato.
E, d’un tratto, l’esaltazione.
(Così come se amarti mi mettesse le ali.)
Nelle terre che ho attraversato,
non sono mai stato esagerato e stupido.
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Charles Pachter
Violet Sunset Barn (2020)
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