Para começar sento-me num jardim...


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Para começar sento-me num jardim...
Per cominciare mi siedo in un giardino...


Para começar sento-me num jardim
À procura de um regresso que não se acha –
Túneis e galerias,
Um pais perdido tão facilmente,
Mais leve do que o pó.
Uma tarde para experimentar por fim
A minha vida,
Aquela que julguei a minha pior inimiga,
A que me roubou tudo quanto amei
E pouco me deixou nas mãos –
Mas agora não vale a pena lutar contra ela
E sorrio-me do absurdo que é sabê-lo,
Talvez mais até do que combatê-la.
É com a minha vida que me sento,
Percebendo o seu relevo lacunar –
Alguém deverá ter dito desta fulguração última
Sobre a qual vai ganhando consistência
Um sono imprestável,
Que se converte em crosta e fundura
E assim se me revela:
De nada serve ou adianta que outrora –
Ontem, apenas – um nome tenha sido amor,
O nome que se vai desmantelando
No movimento vagaroso da tarde.
Seja como for, a conta estará certa.
Para acabar, sento-me num jardim.
Ao levantar-me, serei simplesmente o que começa.

Per cominciare mi siedo in un giardino
In cerca di un’uscita che non si trova –
Tunnel e gallerie,
Un paese perduto tanto facilmente,
Più leggero della polvere.
Un pomeriggio per esaminare infine
La mia vita,
Quella che ho ritenuto la mia peggior nemica,
Quella che m’ha rubato tutto ciò che ho amato
E poco m’ha lasciato tra le mani –
Ma ora non vale la pena di lottare contro di lei
E mi fa sorridere l’assurdità di saperlo,
Forse ancor più del fatto di combatterla.
È con la mia vita che mi siedo,
E percepisco il suo lacunoso rilievo –
Qualcuno deve aver detto di quest’ultima illuminazione
Sulla quale sta acquistando consistenza
Un’inutile sonno,
Che si trasforma in crosta e spessore
E così mi si rivela:
Non serve né giova che in passato –
Ieri, soltanto – un nome sia stato l’amore,
Nome che si va disfacendo
Nel lento movimento della sera.
Comunque sia, il conto sarà giusto.
Per finire, mi siedo in un giardino.
Nel rialzarmi, sarò semplicemente ciò che comincia.

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Vincent van Gogh
Les Alyscamps in autunno (1888)
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