Questões de vocabulário


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Questões de vocabulário
Questioni di vocabolario


À minha paciência chamarás cobardia
E não tenho como te desmentir
Porque, então, o significado é um extremo –
Para além dele só o abismo.
E, assim, todas as palavras em mim
São indefensáveis, apenas me posso calar.
Mas, então, pelo silêncio, acuso
Ou escondo, ou falseio.
Na verdade, o meu silêncio é uma sucessão
De incisões, de histórias fossilizadas.
Não sei de ti, mas desaprendi a perguntar.
As perguntas sobem ou descem?
O céu é a suspensão de uma coisa,
A terra é a consequência ou vestígio de outra.
Paralelos, pacientes, cobardes,
Jamais se infringem, nada farão um pelo outro.
À mais perfeita indiferença ouvi
Chamarem amor. Talvez fosse.
Sentem algas e é amor.
Pontapés nas costas e é.
Acessos de tosse. Náuseas. E é sempre amor.
À minha paciência chamarás cobardia.
Ao amor, gaiola aberta.
Nada restará de mim nas tuas mãos ténues.
Não perdoarás a paciência,
Não me perdoarás que espere por ti.

Chiamerai la mia pazienza codardia
E non ho modo di contraddirti
Dato che, comunque, il significato è un estremo –
Al di là del quale c’è solo l’abisso.
E, così, tutte le parole in me
Sono indifendibili, non posso che tacere.
Ma, comunque, con il silenzio, io accuso
O nascondo, o simulo.
In verità, il mio silenzio è una successione
D’incisioni, di storie fossilizzate.
Non so tu, ma io ho perso l’abitudine di chiedere.
Le domande salgono o scendono?
Il cielo è l’interruzione di una cosa,
La terra è la conseguenza o la traccia di un’altra.
Paralleli, pazienti, codardi,
Mai si ribellano, nulla faranno l’uno per l’altro.
La più perfetta indifferenza l’ho sentita
Chiamare amore. Forse è così.
Sentono odor d’alghe ed è amore.
Calci sulla schiena ed è amore.
Accessi di tosse. Nausee. Ed è sempre amore.
Chiamerai la mia pazienza codardia
L’amore, gabbia aperta.
Nulla resterà di me nelle tue fragili mani.
Non perdonerai la pazienza,
Non mi perdonerai che ti stia ad aspettare.

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Le Corbusier
Otherwordly (1963)
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