Mansidão


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Mansidão
Quiete


As casas dormiam na hora surda do meio-dia.
O corpo do homem penetrou sob árvores
Na longa quietude estendida da rua.
Tudo permaneceu sem um grito,
Um pedido de socorro sequer.
Ninguém soube se o coração vibrou.
Que sonho o acalenta ninguém adivinhou.
Ninguém sabe nada.
Não traz um lamento,
Nem marca dos pés no chão vai ficar.
Tão triste é a vida sem marca dos pés!
Tudo permaneceu sem um grito,
Um pedido de socorro sequer.
Ele passou sem calúnias
E é possível que sem corpos que o chamassem.
Ninguém soube se o coração vibrou
Porque tudo permaneceu sem fundo suspiro
No estranho momento das coisas paradas.

Le case dormivano nell’ora sorda del mezzogiorno.
Il corpo dell’uomo s’infilò sotto gli alberi
Nella lunga quiete distesa della via.
Tutto perdurò senza un grido,
Né una richiesta d’aiuto.
Nessuno seppe se il suo cuore vibrò.
Che sogno inseguisse nessuno indovinò.
Nessuna sa nulla.
Non reca un lamento,
Né a terra rimarrà l’impronta dei suoi piedi.
È così triste la vita senza l’impronta dei piedi!
Tutto perdurò senza un grido,
Né una richiesta d’aiuto.
Egli passò senza calunnie
Ed è possibile che esseri incorporei lo chiamassero.
Nessuno seppe se il suo cuore vibrò
Perché tutto perdurò senza un profondo sospiro
Nello strano attimo delle cose sospese.

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Piet Mondrian
Melo in fiore (1912)
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