Canção Póstuma


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Canção Póstuma
Canzone Postuma


Fiz uma canção para dar-te;
porém tu já estavas morrendo.
A Morte é um poderoso vento.
E é um suspiro tão tímido, a Arte...

É um suspiro tímido e breve
como o da respiração diária.
Choro de pomba. E a Morte é uma águia
cujo grito ninguém descreve.

Vim cantar-te a canção do mundo,
mas estás de ouvidos fechados
para os meus lábios inexatos,
— atento a um canto mais profundo.

E estou como alguém que chegasse
ao centro do mar, comparando
aquele universo de pranto
com a lágrima da sua face.

E agora fecho grandes portas
sobre a canção que chegou tarde.
E sofro sem saber de que Arte
se ocupam as pessoas mortas.

Por isso é tão desesperada
a pequena, humana cantiga.
Talvez dure mais do que a vida.
Mas à Morte não diz mais nada.
Ho fatto una canzone da regalarti;
però tu stavi già morendo.
La Morte è un poderoso vento.
Ed è un sospiro così timido, l’Arte...

È un sospiro timido e breve
come quello d’un respiro normale.
Pianto di colomba. E la Morte è un’aquila
il cui grido nessuno descrive.

Son venuta a cantarti la canzone del mondo,
ma tu te ne stai ad occhi chiusi
per queste mie labbra imprecise,
— tutto attento ad un canto più profondo.

E io sto come qualcuno che arrivasse
in mezzo al mare, paragonando
quell’universo di pianto
alla lacrima che riga la sua guancia.

Ed ora chiudo le grandi porte
alla canzone ch’è giunta troppo tardi.
E soffro per non sapere di che Arte
si occupano le persone morte.

È per questo che è tanto disperata
l’umana litania, inconsistente.
Forse durerà più a lungo della vita.
Ma alla Morte già non dice più niente.
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Pablo Picasso
Donna piangente (1937)

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