canção do povo


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Narlan Matos »»
 
Narciso Selvagem (2022) »»
 
Francese »»
«« precedente /  Sommario / successivo »»
________________


canção do povo
canzone del popolo


quero entoar um canto ao povo
como quem oferece uma prece
às almas perdidas do purgatório
como quem à noite e anônimo
rouba um amigo do manicômio

quero entoar um canto ao povo
para ser cantado nas ágoras
com a harpa e a cítara e a lira
para ser estrela nos infernos
e fresco como um oásis
para as caravanas do deserto

quero entoar um canto ao povo
para cicatrizar a ferida e a dor
fazer nascer um arco-íris sobre
a loucura o desespero a solidão
e decretar por lei, por evangelho
que a única estrada agora possível
– a única – é a estrada do amor

quero entoar um canto ao povo
que parta como uma epopeia
que escave o pretérito mais-que-perfeito
e encontre a Grécia Antiga
morta por debaixo da hera esquecida
no altar dos deuses do Olimpo
a tocha perdida para juntos eu e tu
repartirmos de novo de mão em mão
  o fogo sagrado da vida.
voglio intonare un canto al popolo
come chi offre una preghiera
alle anime perdute del purgatorio
come chi di notte e anonimo
rapisce un amico dal manicomio

voglio intonare un canto al popolo
perché sia cantato nelle piazze
con l’arpa e la cetra e la lira
perché sia stella negli inferi
e fresco come un’oasi
per le carovane del deserto

voglio intonare un canto al popolo
per cicatrizzare la ferita e il dolore
far nascere un arcobaleno sopra
la follia l’angoscia la solitudine
e decretare per legge, per vangelo
che l’unica strada ora possibile
– l’unica – è la strada dell’amore

voglio intonare un canto al popolo
che parta come un’epopea
che scavi nel trapassato remoto
e ritrovi l’Antica Grecia
morta sotto l’edera dimenticata
e sull’altare degli dei dell’Olimpo
la fiaccola perduta affinché io e te insieme
spartiamo nuovamente di mano in mano
  il sacro fuoco della vita.
________________

Tarsila do Amaral
Morro da Favela (1924)
...

Nessun commento:

Posta un commento

Nuvola degli autori (e alcune opere)

A. M. Pires Cabral (44) Adolfo Casais Monteiro (36) Adriane Garcia (40) Adão Ventura (41) Adélia Prado (40) Affonso Romano de Sant’Anna (41) Al Berto (38) Albano Martins (41) Alberto Pimenta (40) Alexandre O'Neill (29) Ana Cristina Cesar (39) Ana Elisa Ribeiro (40) Ana Hatherly (43) Ana Luísa Amaral (40) Ana Martins Marques (48) Antonio Brasileiro (41) António Gedeão (37) António Ramos Rosa (39) Antônio Cícero (40) Augusto dos Anjos (50) Caio Fernando Abreu (40) Carlos Drummond de Andrade (43) Carlos Machado (113) Casimiro de Brito (40) Cassiano Ricardo (40) Cecília Meireles (37) Conceição Evaristo (33) Daniel Faria (40) Dante Milano (33) David Mourão-Ferreira (40) Donizete Galvão (41) Eugénio de Andrade (34) Ferreira Gullar (40) Fiama Hasse Pais Brandão (38) Francisco Carvalho (40) Galeria (30) Gastão Cruz (40) Gilberto Nable (48) Hilda Hilst (41) Iacyr Anderson Freitas (41) Inês Lourenço (40) Jorge Sousa Braga (40) Jorge de Sena (40) José Eduardo Degrazia (40) José Gomes Ferreira (41) José Régio (29) José Saramago (40) João Cabral de Melo Neto (44) João Guimarães Rosa (33) João Luís Barreto Guimarães (40) Luis Filipe Castro Mendes (40) Lêdo Ivo (33) Manoel de Barros (36) Manuel Alegre (41) Manuel António Pina (33) Manuel Bandeira (40) Manuel de Freitas (41) Marina Colasanti (38) Mario Quintana (38) Miguel Torga (31) Murilo Mendes (32) Mário Cesariny (34) Narlan Matos (85) Nuno Júdice (32) Nuno Rocha Morais (482) Pedro Mexia (40) Poemas Sociais (30) Poemas dos dias (28) Pássaro de vidro (52) Reinaldo Ferreira (40) Ronaldo Costa Fernandes (42) Rui Knopfli (43) Rui Pires Cabral (44) Ruy Belo (28) Ruy Espinheira Filho (43) Ruy Proença (41) Sophia de Mello Breyner Andresen (32) Tesoura cega (35) Thiago de Mello (38) Ultimos Poemas (103) Vasco Graça Moura (40) Vinícius de Moraes (34)